Estréia do filme Shrek. Dois filhos ansiosos e um ex, o pai, pra lá de impaciente. Correndo de um shopping a outro, consegui, enfim, comprar os ingressos. Mas os lugares não eram marcados (está quase impossível sobreviver com dois filhos sem esta conveniência tecnológica!!!). Bom, disposta a aguardar por 01 hora para ser a primeira da fila, liberei os pequenos para um pequeno lanche prévio, sentei-me no chão, e fiquei observando as pessoas ao meu redor.
Adoro ir ao cinema, mesmo nestas circunstâncias. A confusão me diverte. A alegria das crianças me contagia,e a da maioria dos pais também. E eram mais de seis salas, quase todas exibindo filas consideráveis.
Chegaram, então, uma mulher com seus dois ou três filhos, quase adolescentes, e ficaram parados atrás de mim. Nenhum espanto aquilo teria me causado se eles quisessem de fato assistir ao Shrek. Não. Ficar na fila da sala 04, a minha, foi só um 'jeitinho' que a tal mãe deu para entrar na frente de outras cento e tantas pessoas que aguardavam na da sala 05, a que ela queria. Mas o que mais me espantou foi o modo com que a mesma ensinava à sua cria como ser mal educado, desonesto, como não ter respeito pelas pessoas, as que chegaram antes. E com que expressão de orgulho a mãe cumpria sua tarefa de educadora!!!! Bom, num segundo de pausa dessa cena desprezível, nossos olhares se cruzaram, e certamente a minha repugnância deveria estar estampada na testa, pois a tal genitora, com seu sorriso amarelo por não ter encontrado um respaldo qualquer, desviou os seus olhos de mim e se afastou, levando junto seus filhos. Que Deus os proteja, e a todos nós também, impedindo-os de seguirem os passos da mãe, ou de escolherem uma 'carreira' política nesse nosso país, pois correrão o risco de "se dar" muito bem.
" Se você não demorar muito, posso esperá-lo por toda a minha vida." Oscar Wilde
quinta-feira, 15 de julho de 2010
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Mudança
Vou transcrever o que comentei sobre um post muito legal do "Do lido ao vivido", como todas as de lá são, sobre mudanças e tempo. Aqui vai...
" Quando você disse que todos mudamos em maior ou menor grau, me remeteu à uma idéia com a qual concordo plenamente, a de que a vida gira em torno da mudança ...como naquela canção,'tudo muda o tempo todo no mundo". Todos precisamos mudar - você afirma - e não há como discordar disso. Mas, na maioria das vezes essa mudança acontece independentemente da nossa vontade; não 'precisamos', simplesmente mudamos. Exatamente como você escreveu em seguida. Quando essa percepção de que 'precisamos mudar" nasce em nossas mentes, consciente das nossas dores ou livre de apegos a passados felizes disfarçados de perfeitos, a mudança já se operou, já aconteceu. O tempo que cada um leva nesse processo é o que nos difere e dá o tom dessa coisa chamada amadurecimento (palavra feia!!!! Adoro ser imatura!!!). Há os que estão sempre em busca de mudanças, seduzidos pelos diversos tipos de emoções que as acompanham, os condutores. E há os conduzidos, que as temem, preferindo viver em manadas, escondendo-se do tempo. Tolice. Esquecem-se de que tempo é apenas uma definição. É essa danada da mudança que gera o tempo, que as pessoas teimam em quantificar através de dias, meses, anos. O meu, não o conto a partir de uma data registrada numa certidão cartorária qualquer, ou arrancando as folhinhas de um calendário. Conto-o a partir das minhas mudanças, ou melhor, da percepção que tenho das mesmas. Por isso ora sou condutora, ora sou conduzida, e por isso mesmo, quando alguém me pergunta quem eu sou, digo: hoje sou assim...amanhã, saberei então. Vou fazendo as minhas opções e deixando que os outros façam as suas (tudo bem, às vezes não resisto e tento "dar" alguns palpites, alguns conselhos, rs), sem me preocupar, também como você, com os que não estão nem aí para elas, me importando, sim, com aqueles que de mim são próximos ou de mim se aproximam, seja lá qual for o motivo. São eles e eu quem têm a ver com isso, não acha?"
" Quando você disse que todos mudamos em maior ou menor grau, me remeteu à uma idéia com a qual concordo plenamente, a de que a vida gira em torno da mudança ...como naquela canção,'tudo muda o tempo todo no mundo". Todos precisamos mudar - você afirma - e não há como discordar disso. Mas, na maioria das vezes essa mudança acontece independentemente da nossa vontade; não 'precisamos', simplesmente mudamos. Exatamente como você escreveu em seguida. Quando essa percepção de que 'precisamos mudar" nasce em nossas mentes, consciente das nossas dores ou livre de apegos a passados felizes disfarçados de perfeitos, a mudança já se operou, já aconteceu. O tempo que cada um leva nesse processo é o que nos difere e dá o tom dessa coisa chamada amadurecimento (palavra feia!!!! Adoro ser imatura!!!). Há os que estão sempre em busca de mudanças, seduzidos pelos diversos tipos de emoções que as acompanham, os condutores. E há os conduzidos, que as temem, preferindo viver em manadas, escondendo-se do tempo. Tolice. Esquecem-se de que tempo é apenas uma definição. É essa danada da mudança que gera o tempo, que as pessoas teimam em quantificar através de dias, meses, anos. O meu, não o conto a partir de uma data registrada numa certidão cartorária qualquer, ou arrancando as folhinhas de um calendário. Conto-o a partir das minhas mudanças, ou melhor, da percepção que tenho das mesmas. Por isso ora sou condutora, ora sou conduzida, e por isso mesmo, quando alguém me pergunta quem eu sou, digo: hoje sou assim...amanhã, saberei então. Vou fazendo as minhas opções e deixando que os outros façam as suas (tudo bem, às vezes não resisto e tento "dar" alguns palpites, alguns conselhos, rs), sem me preocupar, também como você, com os que não estão nem aí para elas, me importando, sim, com aqueles que de mim são próximos ou de mim se aproximam, seja lá qual for o motivo. São eles e eu quem têm a ver com isso, não acha?"
sábado, 3 de julho de 2010
To my Dad
The image of your face
has been fading my mind
like the shadow
when the morning comes
But the seeds of your love
have grown and blossomed into
flowers of hope and happiness
and the only regret
for having never told you
how much I love you.
Escrevi estas palavras, talvez não exatamente estas pelo tanto tempo que já se passou, em um momento de perda e dor profundas quando meu pai se foi. Uma morte estúpida, como todas soi são, mesmo sabendo-nas obrigatórias. Queria deixá-las registradas aqui, para não correr o risco de perdê-las de mim nesse emaranhado tolo e ingrato chamado memória.
Pássaros
Estou lendo Ostra feliz não faz pérola, de Rubens Alves, um livro, como ele mesmo define, "...sem princípio, sem meio e sem fim". Idéias que foram aparecendo em seus momentos velozes e anotadas num bloco de notas...seus pássaros, que sem releitura, correções, arrependimentos, voaram livres até a ostra feliz. Um deles chamou-me a atenção: lunetas e estrelas. As lunetas, ah, as lunetas de que ainda tanto preciso para ver as estrelas. Mas se também não fico de pé sozinha, dá-me as muletas, citações de todos os dias que um dia servirão apenas para acrescentar, iluminar, reverenciar. Não quero me apropriar dos pássaros alheios, como se isso fosse possível, livres que são. Apenas agarro-me humildemente em suas asas. Sei que elas, as palavras, serão minhas amigas também e juntas brincaremos para sempre.Tenho me esforçado. Mas enquanto isso não acontece, fico aqui a colher as folhas que caem, dos mais diversos outonos, meu adubo, até que de mim brotem tantos galhos quantos necessitem os meus próprios pássaros.
Donna mi priega 88
Se amor é troca
ou entrega louca
discutem os sábios
entre os pequenos
e os grandes lábios
no primeiro caso
onde começa o acaso
E onde acaba o propósito?
se tudo o que fazemos
é menos que o amor
mas ainda não é ódio?
a tese segunda
evapora em pergunta
que entrega é tão pouca
que toda espera é pouca?
qual dos cinco mil sentidos
está livre de mal-entendidos?
Paulo Leminski
ou entrega louca
discutem os sábios
entre os pequenos
e os grandes lábios
no primeiro caso
onde começa o acaso
E onde acaba o propósito?
se tudo o que fazemos
é menos que o amor
mas ainda não é ódio?
a tese segunda
evapora em pergunta
que entrega é tão pouca
que toda espera é pouca?
qual dos cinco mil sentidos
está livre de mal-entendidos?
Paulo Leminski
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